Kenny Dorham (1924-1972)

Mckinley Howard (Kenny) Dorham foi um trompetista, cantor e compositor de Jazz Norte Americano.

Dorham nasceu a 30 de Agosto de 1924 em Fairfield (Texas, USA), num rancho chamado Poast Oak.
Enquanto frequentava o liceu em Austin (Anderson High School) Dorham começou a aprender sozinho a tocar trompete e piano, frequentado também a equipa de boxe. Posteriormente iria para o Willey College onde estudaria Química e Física. Durante este período começaria a escrever musicas e arranjos, trabalhando com Wild Bill Davis, Harold Land e Roy Porter.

Em 1943, após ter ido um ano para o exercito (onde pertenceria à equipa de boxe), iria se juntar à Orquestra de Russell Jacquet em Houston e em 1944 tocaria na banda de Frank Humphries.
Após passagens na 1ª Big Band de Dizzy Gillespie e na Orquestra de Billy Eckstine , gravaria em 1946 com os Be Bop Boys (aos quais pertencia Fats Navarro) tocando ainda com Lionel Hampton e Mercer Ellington.

Dorham nesta época tornou-se um importante compositor, fazendo diversos arranjos musicais para temas tocados por diversas big bands e grupos da época. Entre as musicas arranjadas por Dorham contam-se "Okay for Baby" para Benny Carter e Lucky Millinder e "Malibu" para Cootie Williams.

Em 1948 tendo como objectivo aprofundar os seus conhecimentos musicais iria para a Gotham School of Music, estudando composição e arranjos. Na véspera de Natal desse ano tocaria pela primeira vez com o quinteto de Charlie Parker, onde ficaria um ano (tendo sido recomendado por Miles Davis aquando da sua saída do grupo).

Após uma pausa de 2 anos na California, Dorham iria para Nova Iorque trabalhando como Free-lancer. Durante este período tocaria com nomes como Thelonious Monk, Bud Powell, Sonny Stitt e Mary Lou Williams. Em 1953 gravaria o seu primeiro álbum como band-leader para a editora Debut.

Em 1954 Dorham substituiria Clifford Brown na banda de Art Blakey: The Jazz Messengers, formando passado pouco tempo os Jazz Prophets, onde também se encontravam Bobby Timmons (piano), Sam Jones (baixo), J.R Monterose (saxofone tenor) e como convidado ocasional Kenny Burrell (guitarra). O grupo gravaria diversos álbuns com a editora Blue Note, destacando-se o álbum ao vivo "Round About Midnight at the Cafe Bohemia" de 1956.

Em 1956, com a morte de Clifford Brown, Dorham substitui este na banda de Max Roach com quem tocaria durante os dois anos seguintes.
Após o desmantelamento da banda por parte de Roach, Dorham gravou diversos álbuns em seu nome para diversas editoras. Destaca-se o álbum "Quiet Kenny" de 1959.

Em 1961 Dorham voltaria a gravar com a Blue Note e os Jazz Prophets, tendo a banda como novos membros Joe Henderson (saxofone tenor), Herbie Hancock (piano) e Tony Williams (bateria).
Henderson e Dorham tornar-se-iam grandes amigos, tocando o trompetista em diversos álbuns do jovem saxofonista, tais como "Page One", "Our Thing" e "In' n' Out". Durante este período Dorham comporia o standard de Jazz "Blue Bossa" (pertencente ao álbum Page One).

A partir da segunda metade da década de 60, Dorham teve de abandonar a carreira profissional como musico, devido principalmente a problemas monetários (Dorham trabalharia nos Correios) continuando no entanto, a estudar musica no NYU School of Music.

A partir dos anos 70 começaria a sofrer de insuficiência renal, vindo a falecer da doença a 5 de Dezembro de 1972.




Django Reinhardt (1910-1953)

Jean "Django" Reinhardt foi um guitarrista de Jazz Europeu, sendo um dos primeiros músicos de Jazz proeminentes a aparecer no velho continente.

Reinhardt nasceu a 23 de Janeiro de 1910 em Liberchies (Point-à-Celles, Bélgica). Sendo de origem cigana (o seu nome Django provem da língua Romani), passou grande parte da sua juventude em acampamentos ciganos nos arredores de Paris. Foi nesses mesmos acampamentos onde aprendeu a tocar violino, banjo e guitarra.

Aos 18 anos Reinhardt foi vitima de um incêndio caseiro que deflagrou na sua caravana. Devido a este acidente ficou com queimaduras de 1º e 2º grau, tendo a sua perna direita ficado paralisada e o 3º e 4º dedos da sua mão esquerda ficado queimados. Os médicos diagnosticaram que não poderia tocar mais guitarra.

Após a compra de uma nova guitarra, oferecida pelo seu irmão Joseph Reinhardt (guitarrista), Django decidiu que iria reaprender a tocar este instrumento. Devido às suas limitações físicas Reinhardt passou a solar apenas com dois dedos, utilizando os outros dois dedos parcialmente paralisados apenas para acordes.

Em 1934 Reinhardt formaria, juntamente com Stéphane Grapelli (violino) o "Quintet du Hot Club de France", que incluía o seu irmão (Joseph), Roger Chaput (guitarra) e Louis Vola (baixo). Como não possuíam instrumentos de percussão, grande parte das vezes as guitarras desempenhavam este papel.

A formação fundada por Reinhardt e Grapelli foram das primeiras a integrar apenas instrumentos de cordas, sendo que nas gravações também incluíam diversas vezes sopros e piano. Umas das principais inovações introduzidas com Django prende-se com as guitarras usadas possuírem "cutaway" (corte do corpo da guitarra que permite melhor acesso as notas do fundo do braço) e um braço reforçado com aço.

Devido a Reinhardt ser praticamente analfabeto não conseguia ler ou escrever musica, tendo posteriormente Grapelli lhe ensinado.
Durante esta fase Django tocou e gravou com vários nomes do Jazz como Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Benny Carter e Rex Stewart.

Com o inicio da 2ª Grande Guerra em 1939 o quinteto separou-se, tendo Django ido para Paris e Grapelli para o Reino Unido. Em Paris Reinhardt reformaria o seu quinteto tendo Grapelli sido substituído por Hubert Rostaing (clarinete).
Ao contrario de muitos ciganos que foram enviados para campos de concentração durante a ocupação Nazi, Django conseguiu escapar ileso ao conflito (devido principalmente à protecção dada pelo General Dietrich Schulz-K, seu admirador).

Após a guerra Django juntar-se-ia novamente a Grapelli no Reino Unido, indo posteriormente para os Estados Unidos tocar com a orquestra de Duke Ellington como solista convidado. Devido a não se ter adaptado ao novo ambiente musical voltaria à França passado algum tempo.

Após o seu regresso voltaria a tocar com Grapelli gravando um dos seus álbuns mais conhecidos: Djangology. Apesar de ter voltado as sonoridades mais ciganas o pouco tempo que passou nos Estados Unidos influenciou bastante a sua forma de tocar.

Reinhardt tinha uma personalidade bastante imprevisível, faltando a concertos para simplesmente passear na praia,pescar ou recusando-se a levantar da cama. Em 1951 retirar-se-ia para Samois-sur-Seine (França).
A 16 de Maio de 1953 morreria vitima de uma hemorragia cerebral, quando voltava para casa da estação de comboios de Avon.

Actualmente diversas músicas de Reinhardt tornaram-se standards de jazz bastante conhecidos. Entre elas destacam-se "Minor Swing", "Tears", "Belleville" e "Djangology"




Thelonious Monk (1917-1982)

Thelonious Sphere Monk foi um pianista e compositor de Jazz, sendo considerado um dos músicos mais importantes de sempre no Jazz.
Monk nasceu a 10 de Outubro de 1917, em Rocky Mount (Carolina do Norte, USA). Aos 4 anos, em 1922, mudar-se-ia para Manhattan (Nova Iorque).

Aos 9 anos Monk começaria a tocar piano (após uma breve passagem pelo trompete). Apesar de ter tido algumas lições com o professor de piano da sua irmã Marian, Monk era nesta fase um auto-didacta, tocando essencialmente de ouvido.

Em 1937 e após ter desistido do liceu, Monk criaria o seu quarteto, tocando em bares da zona de Manhattan. Em 1941 Kenny Clarke contrata-lo-ia como pianista residente da Minton's Playhouse (club lendário de Manhattan).
Durante esta primeira fase da sua carreira Monk era um pianista de "hard-swing", sendo bastante influenciado pela forma de tocar de Art Tatum. Duke Ellington e James P. Johnson são outros pianistas bastante influentes na sonoridade de Monk.

As sessões no Minton's Playhouse foram essenciais para a fundação do estilo Bebop, tendo sido um dos principais locais de reunião de vários nomes fundadores da futura vertente musical, como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell, Miles Davis (mais tarde), o próprio Monk entre outros.

Em 1944 Monk gravaria o seu primeiro álbum, com o quarteto de Coleman Hawkins, e em 1947 o seu primeiro álbum como líder (pela editora Blue Note) intitulado posteriormente de Genius of Modern Music, Vol.1.

Em 1951 Monk foi surpreendido pela policia de Nova Iorque, quando se encontrava no carro do seu amigo Bud Powell. O facto de Thelonious Monk ter-se recusado a testemunhar contra Powell em tribunal, devido à posse de drogas por parte deste, fez com que lhe tirassem a licença de musico (New York Cabaret Card). Este acontecimento foi um grande revés na carreira de Monk, pois impediu-o de tocar na maioria dos bares e clubs da cidade.

A partir de 1952 e até 1954 Monk assinou pela Prestige Records, tocando com músicos como Sonny Rollins, Art Blakey e Miles Davis, colaborando com este ultimo na criação de varias musicas que levariam à produção de dois álbuns: Bag's Groove e Miles Davis and the Modern Jazz Giants.
A relação entre Miles e Monk consta ter sido tensa, sendo que Davis sentia-se pouco a vontade com os acompanhamentos pouco ortodoxos de Monk, o que levaria, segundo rumores, a diversas picardias e discussões entre os dois músicos.

Apesar de Monk ser um musico muito influente e respeitado pela critica a verdade é que comercialmente era pouco reconhecido , vendendo poucos álbuns. Tal facto talvez se devesse, em parte pelo menos, à sua abordagem pois, enquanto que a maioria dos pianistas de Bebop da época tocavam os acordes espaçados com a mão esquerda e com a mão direita efectuavam movimentos rápidos, Monk produzia o ritmo e a harmonia das musicas quer com a mão direita quer com a esquerda, utilizando bastantes "espaços" e "silêncios" nas suas composições.

Em 1954 Monk assinou um contrato com a editora Riverside. Devido às fracas vendas dos seus álbuns anteriores a editora pediu a Monk que gravasse um álbum em que interpretasse standards de Jazz. O resultado seria o álbum Thelonious Monk plays the music of Duke Ellington, onde interpretaria diversos temas do compositor e onde contaria com a colaboração de Oscar Pettiford (contra-baixo).
Posteriormente Monk gravaria o famoso álbum Brilliant Corners, onde tocaria com Sonny Rollins. Destaca-se a musica que dá nome ao álbum (sendo uma das composições mais complexas do musico).

Em 1963, e após assinar pela Columbia Records Monk gravaria um dos seus álbuns mais aclamados e com maior sucesso comercial: Monk's Dream. O álbum contava ainda com Charlie Rouse (saxofone tenor), John Ore (contra-baixo) e Frankie Dunlop (bateria). Em 1964 Ore e Dunlop sairiam do grupo, sendo substituídos respectivamente por Larry Gales e Ben Riley.
Destacam-se ainda os álbuns Criss Cross (1963) e Underground (1968) desta fase da carreira do musico.

Durante a década de 70 Monk saiu progressivamente da cena do Jazz, aparecendo apenas ocasionalmente. A deterioração da sua saúde contribui consideravelmente para este desaparecimento, tendo o musico graves problemas mentais, apesar de não haver consenso acerca da doença da qual padecia (esquizofrenia, depressão ou lesão cerebral devido a administração de medicamentos com Lítio são algumas das hipóteses).
Os últimos anos da vida de Monk seriam passados na residência da sua amiga e patrocinadora Nica de Koenigswarter.
Thelonious Monk viria a falecer a 17 de Fevereiro de 1981 vitima de Acidente Vascular Cerebral (AVC).



50º Aniversário do Kind of Blue

Kind of Blue é considerado por muitos músicos, estudiosos, historiadores e pessoas ligadas ao Jazz como o álbum mais importante da história deste e consequentemente também da música no geral.

Kind of Blue, de Miles Davis, contando também com a participação de Cannonball Adderley (sax alto), John Coltrane (sax tenor), Bill Evans (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria), foi realizado no verão de 1959.

Logo, estamos agora, em 2009, a comemorar o 50º aniversário do seu lançamento.

A Legacy Recordings está a produzir um documentário sobre este álbum que será lançado em Setembro porém já podemos ter acesso a um pequeno excerto. É importante ter a noção do peso que este álbum acarreta. Há quem diga que a história da música não foi a mesma depois daquele verão de 59.