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Wayne Shorter (1933-)

Wayne Shorter é um dos mais importantes saxofonistas e compositores de Jazz de todos os tempos.
Shorter nasceu em Newark (New Jersey, USA) a 25 de Agosto de 1933.

Shorter entrou em contacto com a musica ainda criança, tendo o seu pai encorajado-o a tocar saxofone, e tendo frequentado a Newark Arts HighSchool (Newark).


Billie Holiday (1915-1959)


Billie Holiday (Elinore Harris) foi uma cantora e escritora, de Jazz, Norte-Americana, nascida em Filadélfia (Pensilvânia, USA) em 1915.
O seu nome artístico provém em parte de Billie Dove (uma actriz da qual era fã) e do seu provável pai Clarence Holiday. 

Kurt Rosenwinkel (1970-)

Kurt Rosenwinkel é um guitarrista de Jazz Americano. Nascido a 28 de Outubro de 1970 em Filadélfia (Pensilvania, USA), tornar-se-ia famoso durante a década de 90.

Eva Cassidy (1963-1996)

Eva Marie Cassidy nasceu a 2 de Fevereiro de 1963 em Maryland, Washington DC, nos Estados Unidos da América. Conhecida pela timidez que transparece nos registos de vídeo existentes, ganhou lugar como intérprete de diversos estilos musicais, como o jazz, blues, folk e pop. 

Apesar da sua voz divinal e expressividade única, Eva era praticamente desconhecida fora de Maryland e Washington, e o seu valor e mérito só lhe foram atribuídos postumamente. 



Dave Holland (1946-)

Dave Holland é um baixista de Jazz, compositor e produtor inglês, residindo à cerca de 40 anos nos Estados Unidos da América.

Nascido a 1 de Outubro de 1946 na cidade Inglesa de Wolverhampton Holland começou como autodidacta no mundo da musica, tocando inicialmente Ukelele (instrumento de cordas   Havaiano, originado a partir do português Cavaquinho), passando para a guitarra mais tarde e por fim para o baixo-eléctrico.

Lee Morgan (1938-1972)

Lee Morgan foi um famoso trompetista de Bebop e Hardbop Norte-americano. Nascido em Filadélfia (Pensilvânia, USA) a 10 de Julho de 1938, Lee Morgan desde cedo mostrou o seu interesse pela musica, inicialmente pelo vibrafone, e mais tarde pelo trompete.

Morgan foi muito influenciado pelo trompetista Clifford Brown, que inclusive lhe deu algumas aulas durante a sua adolescência. Aos 18 anos juntar-se-ia à big band de Dizzy Gillespie, tendo aí permanecido até ao desmantelamento desta por parte de Dizzy, devido razões financeiras.

Christian Scott (1983-)

Christian Scott é um trompetista americano contemporâneo.
Nascido em Nova Orleans (Louisiana, USA) desde muito cedo entrou em contacto com a musica e com o Jazz em particular, tendo a sua mãe e avó lhe oferecido um trompete com 11 anos de idade.

A sua mãe (Cara Harrison) encarregou-se numa primeira fase pela sua educação musical, tendo-lhe ensinado a memorizar ritmos e a ler musica. Também o seu avô (Donald Harrison Sr.) mostrou a Scott o trabalho de grandes nomes do Jazz, fazendo crescer o amor pelo género no jovem musico.

Aos 15 anos (1998) Scott começaria a actuar com o seu tio, o aclamado saxofonista alto Donald Harrison Jr.
Após acabar os seus estudos, com distinção, no prestigiado New Orleans Center of Creative Arts, em 2001, Scott recebeu ofertas de bolsas de várias escolas de musica decidindo aceitar o convite da Berklee College of Music, tendo terminado os seus estudos nesta em 3 anos.

Aos 19 anos Scott gravaria o seu primeiro álbum (homónimo). Devido ao grande sucesso deste Scott assinaria posteriormente com a Concord Music Group.
Em 2006 gravaria o seu segundo álbum "Rewind That", tendo o álbum composições não só de Jazz mas também de R&B e Rock e tendo sido o musico nomeado para o Grammy de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo. Posteriormente lançaria o seu mais recente álbum "Anthem", tendo este recebido criticas excelentes.

Christian Scott é famoso não só pela sua musica, tendo um estilo bastante quente e tocando as notas com uma sonoridade pouco característica no trompete, mas também pelo seu activismo politico e social (herdado da sua família).
Scott é ainda conhecido pelo seu sentido de moda, tendo gravatas (Kravat) e óculos de sol (Dark Raybans) com a sua assinatura.




Lionel Hampton (1908-2002)

Lionel Leo Hampton foi um famoso vibrafonista, pianista, baterista, compositor e bandleader de Jazz. Nascido a 20 de Abril de 1908 em Louisville (Kentucky, USA) Hamilton mudar-se-ia para Chicago (Illinois) em 1916.

No inicio dos anos 20 Hampton compraria um xilofone, e começaria a ter aulas de bateria com o musico Jimmy Bertrand. Durante esta altura, e sendo católico, tocaria na Holy Rosary Academy, perto de Kenosha (Wiscousin).

Durante a sua adolescência Hampton começaria por tocar bateria nos Chicago Defender Newsboy's Band. Em 1927/28 Hampton mudou-se para a Califórnia, tocando bateria nos Dixieland Blues-Blowers, e posteriormente tocaria com Paul Howard e com Les Hite no Cotton Club (N.Y). Em 1930 Louis Armstrong contratou a banda de Les Hite e pediu a Hampton que tocasse vibrafone em duas das suas musicas. Assim começaria a carreira de Hampton como vibrafonista.

Durante o inicio da década de 30 Hampton estudaria musica na University of Southern California (Los Angeles, USA) e formaria a sua própria banda em 1934.

Em 1936 Benny Goodman (clarinetista e bandleader) actuou em Los Angeles e durante a sua estadia, John Hammond (Produtor e critico musical) pediu a Goodman que visse Hampton a actuar. Goodman ficou bastante impressionado com Hampton, e pediu imediatamente a este que fizesse parte do seu trio, em que participavam Gene Krupa (bateria) e Teddy Wilson (piano).
A formação do quarteto foi um marco importante quer na historia do Jazz, quer na historia da sociedade americana pois foi a primeira banda não segregada racialmente da historia daquele pais (tanto Teddy Wilson como Lionel Hampton eram afro-americanos).

Em 1940 formaria a sua própria Big Band, tendo sido esta muito popular durante a década de 40 e inicio da década de 50. Em 1942, Hampton comporia "Flying Home", tendo o tema aberto caminho para a criação do R&B (Rhythm and Blues).

Durante a segunda metade da década de 40 e inicio da década de 50 a banda de Hampton continuaria a tocar Jazz com sonoridades de R&B e integraria diversos nomes conhecidos do Jazz na sua banda: Charles Mingus (contra-baixo), Wes Montgomery (guitarra), Johnny Griffin (saxofone), Dizzy Gillespie entre outros... .
Hampton tocaria nessa altura também com outras formações de grandes nomes do Jazz como Art Tatum (piano), Oscar Peterson (piano) e Louis Armstrong. Em 1968 receberia do Papa Paulo VI uma medalha papal.
Em 1953 (devido ao interesse que tinha pelo Judaísmo) Hampton comporia uma peça musical em honra ao povo de Israel, designada de King David Suite.

A partir da década de 60 o sucesso mediático da banda de Hampton entrou em declínio. No entanto continuou a actuar, assim como durante a década de 70.

Durante a sua vida Lionel Hampton receberia inúmeras condecorações e prémios, inclusive a renomeação do Festival de Jazz da Universidade de Idaho para Lionel Hampton Jazz Festival e ainda a renomeação da Faculdade de Musica da Universidade de Idaho (UI's School of Music) para Hampton School of Music.

Lionel Hampton morreria a 31 de Agosto de 2002.







Jack Dejohnette (1942-)

Jack Dejohnette é um baterista, pianista e compositor de jazz americano.
Dejohnette nasceu em Chicago (Illinois-USA) a 9 de Agosto de 1942 e desde cedo entrou em contacto com o mundo da musica. Aos 4 anos aprendeu a tocar piano clássico, até aos 14 anos altura em que começou a tocar bateria na banda do seu liceu. Na mesma altura iria continuar o seu estudo de piano, através de aulas privadas no conservatório de musica de Chicago.

No inicio da sua carreira Dejohnette teve vários projectos e tocou em varias bandas da cidade, sendo requisitado quer como baterista, quer como pianista. Durante esta fase da sua carreira tocava R&B, Hard-bop e avant-garde, participando ainda em projectos mais experimentalistas com a AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians).

O reconhecimento internacional viria com a sua participação no quarteto de Charles Lloyd (como baterista), onde tocava também o pianista Keith Jarrett.
Em 1968 tocaria com Bill Evans no aclamado "Bill Evans at the Montreux Jazz Festival", e de 1969 até 1972 tocaria com Miles Davis gravando com este o revolucionário "Bitches Brew" (onde Miles começava a dar os primeiros passos na Fusão).

A colaboração com Miles Davis abriria as portas a Dejohnette para tocar com outros futuros grandes nomes do Jazz como John MacLaughlin, Chick Corea e ainda Dave Holland. Seria também nesta altura (1968) que Dejohnette gravaria o seu primeiro álbum como líder, pela editora Milestone, intitulado "The Dejohnette Complex", onde Dejohnette toca melódica (instrumento de sopro com teclas) e o seu mentor Roy Haynes bateria.

Na década de 70 Dejohnette iria se virar para a Fusão, formando diversos grupos do género, entre os quais se destacam nomes como os Compost (grupo de Jazz-Rock onde também tocavam Bob Moses na bateria e Harold Vick no saxofone e flauta), Directions (que contava com o guitarrista John Abercrombie, Alex Foster, Warren Bernhardt e Mike Richmond), New directions também com Abercrombie e ainda os Special Edition (com David Murray, Chico Freeman, Arthur Blythe, Peter Warren e outros).

A partir da década de 80 até a actualidade Dejohnette iria participar regularmente nos trios de Keith Jarrett, juntamente com o baixista Gary Peacock.

Apesar de bastante influenciado por grandes baterista do Jazz como Art Blakey, Roy Haynes, Elvin Jones e outros, Dejohnette incorpora elementos de outros estilos musicais na suas composições, indo buscar aspectos que vão do Free Jazz ate ao R&B, mantendo sempre um excepcional sentido temporal e de improvisação.

Dejohnette iria receber, em 1991, o titulo de Doutor Honorário em Musica pela Berklee College of Music e em 2009, um Grammy de melhor álbum de New Age com o seu trabalho "Peace Time".








Kenny Dorham (1924-1972)

Mckinley Howard (Kenny) Dorham foi um trompetista, cantor e compositor de Jazz Norte Americano.

Dorham nasceu a 30 de Agosto de 1924 em Fairfield (Texas, USA), num rancho chamado Poast Oak.
Enquanto frequentava o liceu em Austin (Anderson High School) Dorham começou a aprender sozinho a tocar trompete e piano, frequentado também a equipa de boxe. Posteriormente iria para o Willey College onde estudaria Química e Física. Durante este período começaria a escrever musicas e arranjos, trabalhando com Wild Bill Davis, Harold Land e Roy Porter.

Em 1943, após ter ido um ano para o exercito (onde pertenceria à equipa de boxe), iria se juntar à Orquestra de Russell Jacquet em Houston e em 1944 tocaria na banda de Frank Humphries.
Após passagens na 1ª Big Band de Dizzy Gillespie e na Orquestra de Billy Eckstine , gravaria em 1946 com os Be Bop Boys (aos quais pertencia Fats Navarro) tocando ainda com Lionel Hampton e Mercer Ellington.

Dorham nesta época tornou-se um importante compositor, fazendo diversos arranjos musicais para temas tocados por diversas big bands e grupos da época. Entre as musicas arranjadas por Dorham contam-se "Okay for Baby" para Benny Carter e Lucky Millinder e "Malibu" para Cootie Williams.

Em 1948 tendo como objectivo aprofundar os seus conhecimentos musicais iria para a Gotham School of Music, estudando composição e arranjos. Na véspera de Natal desse ano tocaria pela primeira vez com o quinteto de Charlie Parker, onde ficaria um ano (tendo sido recomendado por Miles Davis aquando da sua saída do grupo).

Após uma pausa de 2 anos na California, Dorham iria para Nova Iorque trabalhando como Free-lancer. Durante este período tocaria com nomes como Thelonious Monk, Bud Powell, Sonny Stitt e Mary Lou Williams. Em 1953 gravaria o seu primeiro álbum como band-leader para a editora Debut.

Em 1954 Dorham substituiria Clifford Brown na banda de Art Blakey: The Jazz Messengers, formando passado pouco tempo os Jazz Prophets, onde também se encontravam Bobby Timmons (piano), Sam Jones (baixo), J.R Monterose (saxofone tenor) e como convidado ocasional Kenny Burrell (guitarra). O grupo gravaria diversos álbuns com a editora Blue Note, destacando-se o álbum ao vivo "Round About Midnight at the Cafe Bohemia" de 1956.

Em 1956, com a morte de Clifford Brown, Dorham substitui este na banda de Max Roach com quem tocaria durante os dois anos seguintes.
Após o desmantelamento da banda por parte de Roach, Dorham gravou diversos álbuns em seu nome para diversas editoras. Destaca-se o álbum "Quiet Kenny" de 1959.

Em 1961 Dorham voltaria a gravar com a Blue Note e os Jazz Prophets, tendo a banda como novos membros Joe Henderson (saxofone tenor), Herbie Hancock (piano) e Tony Williams (bateria).
Henderson e Dorham tornar-se-iam grandes amigos, tocando o trompetista em diversos álbuns do jovem saxofonista, tais como "Page One", "Our Thing" e "In' n' Out". Durante este período Dorham comporia o standard de Jazz "Blue Bossa" (pertencente ao álbum Page One).

A partir da segunda metade da década de 60, Dorham teve de abandonar a carreira profissional como musico, devido principalmente a problemas monetários (Dorham trabalharia nos Correios) continuando no entanto, a estudar musica no NYU School of Music.

A partir dos anos 70 começaria a sofrer de insuficiência renal, vindo a falecer da doença a 5 de Dezembro de 1972.




Django Reinhardt (1910-1953)

Jean "Django" Reinhardt foi um guitarrista de Jazz Europeu, sendo um dos primeiros músicos de Jazz proeminentes a aparecer no velho continente.

Reinhardt nasceu a 23 de Janeiro de 1910 em Liberchies (Point-à-Celles, Bélgica). Sendo de origem cigana (o seu nome Django provem da língua Romani), passou grande parte da sua juventude em acampamentos ciganos nos arredores de Paris. Foi nesses mesmos acampamentos onde aprendeu a tocar violino, banjo e guitarra.

Aos 18 anos Reinhardt foi vitima de um incêndio caseiro que deflagrou na sua caravana. Devido a este acidente ficou com queimaduras de 1º e 2º grau, tendo a sua perna direita ficado paralisada e o 3º e 4º dedos da sua mão esquerda ficado queimados. Os médicos diagnosticaram que não poderia tocar mais guitarra.

Após a compra de uma nova guitarra, oferecida pelo seu irmão Joseph Reinhardt (guitarrista), Django decidiu que iria reaprender a tocar este instrumento. Devido às suas limitações físicas Reinhardt passou a solar apenas com dois dedos, utilizando os outros dois dedos parcialmente paralisados apenas para acordes.

Em 1934 Reinhardt formaria, juntamente com Stéphane Grapelli (violino) o "Quintet du Hot Club de France", que incluía o seu irmão (Joseph), Roger Chaput (guitarra) e Louis Vola (baixo). Como não possuíam instrumentos de percussão, grande parte das vezes as guitarras desempenhavam este papel.

A formação fundada por Reinhardt e Grapelli foram das primeiras a integrar apenas instrumentos de cordas, sendo que nas gravações também incluíam diversas vezes sopros e piano. Umas das principais inovações introduzidas com Django prende-se com as guitarras usadas possuírem "cutaway" (corte do corpo da guitarra que permite melhor acesso as notas do fundo do braço) e um braço reforçado com aço.

Devido a Reinhardt ser praticamente analfabeto não conseguia ler ou escrever musica, tendo posteriormente Grapelli lhe ensinado.
Durante esta fase Django tocou e gravou com vários nomes do Jazz como Louis Armstrong, Coleman Hawkins, Benny Carter e Rex Stewart.

Com o inicio da 2ª Grande Guerra em 1939 o quinteto separou-se, tendo Django ido para Paris e Grapelli para o Reino Unido. Em Paris Reinhardt reformaria o seu quinteto tendo Grapelli sido substituído por Hubert Rostaing (clarinete).
Ao contrario de muitos ciganos que foram enviados para campos de concentração durante a ocupação Nazi, Django conseguiu escapar ileso ao conflito (devido principalmente à protecção dada pelo General Dietrich Schulz-K, seu admirador).

Após a guerra Django juntar-se-ia novamente a Grapelli no Reino Unido, indo posteriormente para os Estados Unidos tocar com a orquestra de Duke Ellington como solista convidado. Devido a não se ter adaptado ao novo ambiente musical voltaria à França passado algum tempo.

Após o seu regresso voltaria a tocar com Grapelli gravando um dos seus álbuns mais conhecidos: Djangology. Apesar de ter voltado as sonoridades mais ciganas o pouco tempo que passou nos Estados Unidos influenciou bastante a sua forma de tocar.

Reinhardt tinha uma personalidade bastante imprevisível, faltando a concertos para simplesmente passear na praia,pescar ou recusando-se a levantar da cama. Em 1951 retirar-se-ia para Samois-sur-Seine (França).
A 16 de Maio de 1953 morreria vitima de uma hemorragia cerebral, quando voltava para casa da estação de comboios de Avon.

Actualmente diversas músicas de Reinhardt tornaram-se standards de jazz bastante conhecidos. Entre elas destacam-se "Minor Swing", "Tears", "Belleville" e "Djangology"




Thelonious Monk (1917-1982)

Thelonious Sphere Monk foi um pianista e compositor de Jazz, sendo considerado um dos músicos mais importantes de sempre no Jazz.
Monk nasceu a 10 de Outubro de 1917, em Rocky Mount (Carolina do Norte, USA). Aos 4 anos, em 1922, mudar-se-ia para Manhattan (Nova Iorque).

Aos 9 anos Monk começaria a tocar piano (após uma breve passagem pelo trompete). Apesar de ter tido algumas lições com o professor de piano da sua irmã Marian, Monk era nesta fase um auto-didacta, tocando essencialmente de ouvido.

Em 1937 e após ter desistido do liceu, Monk criaria o seu quarteto, tocando em bares da zona de Manhattan. Em 1941 Kenny Clarke contrata-lo-ia como pianista residente da Minton's Playhouse (club lendário de Manhattan).
Durante esta primeira fase da sua carreira Monk era um pianista de "hard-swing", sendo bastante influenciado pela forma de tocar de Art Tatum. Duke Ellington e James P. Johnson são outros pianistas bastante influentes na sonoridade de Monk.

As sessões no Minton's Playhouse foram essenciais para a fundação do estilo Bebop, tendo sido um dos principais locais de reunião de vários nomes fundadores da futura vertente musical, como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell, Miles Davis (mais tarde), o próprio Monk entre outros.

Em 1944 Monk gravaria o seu primeiro álbum, com o quarteto de Coleman Hawkins, e em 1947 o seu primeiro álbum como líder (pela editora Blue Note) intitulado posteriormente de Genius of Modern Music, Vol.1.

Em 1951 Monk foi surpreendido pela policia de Nova Iorque, quando se encontrava no carro do seu amigo Bud Powell. O facto de Thelonious Monk ter-se recusado a testemunhar contra Powell em tribunal, devido à posse de drogas por parte deste, fez com que lhe tirassem a licença de musico (New York Cabaret Card). Este acontecimento foi um grande revés na carreira de Monk, pois impediu-o de tocar na maioria dos bares e clubs da cidade.

A partir de 1952 e até 1954 Monk assinou pela Prestige Records, tocando com músicos como Sonny Rollins, Art Blakey e Miles Davis, colaborando com este ultimo na criação de varias musicas que levariam à produção de dois álbuns: Bag's Groove e Miles Davis and the Modern Jazz Giants.
A relação entre Miles e Monk consta ter sido tensa, sendo que Davis sentia-se pouco a vontade com os acompanhamentos pouco ortodoxos de Monk, o que levaria, segundo rumores, a diversas picardias e discussões entre os dois músicos.

Apesar de Monk ser um musico muito influente e respeitado pela critica a verdade é que comercialmente era pouco reconhecido , vendendo poucos álbuns. Tal facto talvez se devesse, em parte pelo menos, à sua abordagem pois, enquanto que a maioria dos pianistas de Bebop da época tocavam os acordes espaçados com a mão esquerda e com a mão direita efectuavam movimentos rápidos, Monk produzia o ritmo e a harmonia das musicas quer com a mão direita quer com a esquerda, utilizando bastantes "espaços" e "silêncios" nas suas composições.

Em 1954 Monk assinou um contrato com a editora Riverside. Devido às fracas vendas dos seus álbuns anteriores a editora pediu a Monk que gravasse um álbum em que interpretasse standards de Jazz. O resultado seria o álbum Thelonious Monk plays the music of Duke Ellington, onde interpretaria diversos temas do compositor e onde contaria com a colaboração de Oscar Pettiford (contra-baixo).
Posteriormente Monk gravaria o famoso álbum Brilliant Corners, onde tocaria com Sonny Rollins. Destaca-se a musica que dá nome ao álbum (sendo uma das composições mais complexas do musico).

Em 1963, e após assinar pela Columbia Records Monk gravaria um dos seus álbuns mais aclamados e com maior sucesso comercial: Monk's Dream. O álbum contava ainda com Charlie Rouse (saxofone tenor), John Ore (contra-baixo) e Frankie Dunlop (bateria). Em 1964 Ore e Dunlop sairiam do grupo, sendo substituídos respectivamente por Larry Gales e Ben Riley.
Destacam-se ainda os álbuns Criss Cross (1963) e Underground (1968) desta fase da carreira do musico.

Durante a década de 70 Monk saiu progressivamente da cena do Jazz, aparecendo apenas ocasionalmente. A deterioração da sua saúde contribui consideravelmente para este desaparecimento, tendo o musico graves problemas mentais, apesar de não haver consenso acerca da doença da qual padecia (esquizofrenia, depressão ou lesão cerebral devido a administração de medicamentos com Lítio são algumas das hipóteses).
Os últimos anos da vida de Monk seriam passados na residência da sua amiga e patrocinadora Nica de Koenigswarter.
Thelonious Monk viria a falecer a 17 de Fevereiro de 1981 vitima de Acidente Vascular Cerebral (AVC).



John Patitucci (1959-)

John Patitucci nasceu a 22 de Dezembro de 1959 em Brooklyn (Nova Iorque-USA) e é um dos mais reconhecidos baixistas da actualidade.
Patitucci começou a tocar baixo eléctrico aos 10 anos e a compor e actuar aos 12 anos. Aos 15 anos iniciaria a sua formação ao nível do contra-baixo e um ano mais tarde aprenderia piano.
Estudaria baixo clássico na San Francisco State University (San Francisco-USA) e ainda na Long Beach State University (Los Angeles County-USA).

Apesar de se ter iniciado no Rock e Soul, Patitucci mudaria rapidamente para o Blues, Jazz e Musica Clássica, sendo no entanto considerado um musico bastante ecléctico.

Tendo-se iniciado na musica, de forma profissional, bastante cedo Patitucci tocaria com vários nomes do jazz e doutros meios musicais. Entre eles contam-se B.B King, Chick Corea, Wayne Shorter, Michael Brecker, John Abercrombie, Herbie Hancock, Sting, Queen Latifah, Bon Jovi entre vários outros.
Em 1986 seria considerado, pela National Academy of Recording Arts and Sciences MVP (Most Valuable Player) em baixo acústico.

A associação que possivelmente lhe terá dado mais notoriedade foi com a elektric e Akoustic bands de Chick Corea, as quais integrou em 1985.

Além de musico Patitucci é também professor, sendo director artístico da Bass Collective (Nova Iorque), está envolvido com o Thelonious Monk Institute of Jazz e ensinou na Betty Carter Jazz Ahead Program (Washington D.C, USA) em 2000. É ainda professor associado em estudos do Jazz no City College.







Sonny Rollins (1930-)

Theodore Walter "Sonny" Rollins nasceu a 30 de Setembro de 1930 em Nova Iorque (USA), tendo sido criado na zona do Harlem.
Rollins começou por aprender piano, quando criança, tendo mudado para o saxofone (alto) aos 13 anos de idade, sendo grandemente inspirado pelo saxofonista Louis Jordan. Aos 16 anos trocaria para o saxofone tenor, tentando seguir as pisadas do seu ídolo Coleman Hawkins.

Rollins começou as suas primeiras gravações com Babs Gonzalez em 1949, tendo gravado ainda nesse mesmo ano com J. J. Johnson e com Bud Powell.
Durante a década de 50 Rollins, ainda bastante novo, consolidaria o seu nome na cena Jazzistica de Nova Iorque, tocando com grandes nomes como Charlie Parker, Thelonious Monk e Miles Davis.

Seria com Miles (1951) que Rollins gravaria Oleo, musica da sua autoria, tornando-se esta um importante standard de jazz.

Durante a década de 50 Rollins estaria envolvido num caso de roubo, levando-o a ser condenado a 3 anos de prisão. Rollins esteve 10 meses preso na Rikers Island, sendo libertado em regime de liberdade condicional. Em 1952 foi novamente preso, devido a violar os termos da sua liberdade condicional ao consumir heroína.Após a sua segunda detenção Rollins inscreveu-se num programa de metadona, de forma a conseguir ver-se livre do vicio das drogas.

Em 1955 mudar-se-ia para Chicago, de forma a libertar-se das características negativas presentes no meio Nova Iorquino, e tocaria com Max Roach e com Clifford Brown. Seria neste período que Rollins começaria a se impor como musico, tocando com uma sonoridade mais marcante e pessoal e evoluindo bastante ao nível da improvisação.

Após a morte de Brown em 1956, Rollins iniciar-se-ia como band leader gravando o álbum Saxophone Colossus (contando com a presença de Max Roach) e Tenor Madness, onde tocaria com os elementos da banda de Miles Davis (a faixa homónima presente no álbum conta com a participação de Coltrane, sendo esta a primeira e única vez que os dois tenores tocariam juntos).

Rollins seria um pioneiro do Jazz, trabalhando sobre diversos estilos de musica, desde o bebop passando pela cena avant-gard e pela musica latina, como por exemplo o calipso (musica das caraíbas). Seria ainda um dos primeiros músicos a não integrar um piano nas sua bandas, tocando apenas com bateria e contra-baixo. O ambiente criado seria denominado de "Strolling". Destacam-se os álbuns Way Out West, A Night at the Village Vanguard e The Freedom Suite como exemplos desta fase na carreira do musico.

Em 1959 Rollins sentia-se bastante frustrado com a sua forma de tocar e o seu nível técnico decidindo fazer uma pausa na sua carreira. De forma a poder praticar o tempo que quisesse Rollins iria tocar para debaixo da ponte Williamsburg (Nova Iorque).

Em 1962 Rollins voltaria a tocar para o publico, gravando nesse mesmo ano o álbum The Bridge com Jim Hall (guitarra), Bob Cranshaw (baixo) e Ben Riley (bateria) e em 1966 a banda sonora do filme Alfie (tendo sido produzido um remake deste filme em 2004 com Jude Law).

No final da década de 60 Rollins iria novamente se ausentar para aprofundar os seus conhecimentos e criar novas ideias. Para tal Rollins estudou Yoga, técnicas de meditação e filosofia oriental. Quando regressou, em 1972 Rollins apresentava uma sonoridade completamente diferente, mais virada para o R&B, pop e funk.
Nesta fase Rollins incluiria guitarra eléctrica e baixo eléctrico nas suas formações, colaborando também com nomes do rock como os Rolling Stones.

Rollins durante a sua carreira ganhou diversos prémios, destacando-se um grammy de carreira em 2004, um grammy de melhor solo instrumental de Jazz em 2006 e os prémios dos leitores da Down Beat para "Jazzman of the Year", "#1 Tenor Sax Player" e "Recording of the Year" com o álbum "Without a song (the 9/11 concert)" em 2006.




Omar Sosa (1965-)

Omar Sosa Palacios nasceu a 10 de Abril de 1965, em Camaguey (Cuba). Começou a sua formação musical através do estudo da percussão (incidindo especialmente na marimba), com oito anos, no conservatório de musica de Camaguey.

Na adolescência iria mudar de escola, indo estudar para a Escuela Nacional de Musica em Havana, e terminando a sua formação em 1983 no Instituto de Superior de Arte, também nesta cidade.
Seria em Havana que Sosa trocaria de instrumento, aprendendo a tocar piano e onde entraria pela primeira vez em contacto com o Jazz, escutando o programa de radio do pai de Horácio "El Negro" Hernandez (baterista/percussionista).

Um dos músicos de Jazz que mais marcariam Sosa seria Thelonious Monk. A liberdade na improvisação e expressividade deste musico influenciariam grandemente a forma como Sosa abordaria a sua propria musica.

Após a conclusão da sua formação Omar Sosa tocaria com Vicente Feliu e com Xiomara Laugart. Em 1993 mudar-se-ia para Quito (Equador), onde formaria uma banda de Jazz-Fusão: Entrenoz.

Em 1995 mudar-se-ia para San Francisco (USA), onde incorporaria os ritmos do Latin-Jazz produzidos naquela zona na sua musica. Seria durante a sua estadia nos Estados Unidos que Omar começaria a produzir diversos álbuns para a Editora Ota Records: Omar Omar (1995), Free Roots (1997), Spirit of The Roots (1998) e Bembon (2000). Estes três últimos álbuns mostrariam o inicio da ligação que Sosa estabeleceria entre os mundos do Jazz e da World Music, incorporando sonoridades africanas e sul americanas na sua musica.
Em 1999 mudar-se-ia para Barcelona (Espanha).

Os álbuns Priestos (2001) e Sentir (2002) revelam ainda mais esta nova abordagem artística mais fusão, indo Sosa utilizar vocais africanos (Gwana) assim como instrumentos tradicionais de varias regiões do mundo. O álbum Sentir ganharia um Grammy latino como melhor álbum de Latin-Jazz, sendo ainda vencedor do prémio afro-caribbean Jazz Album of the Year pela The Jazz Journalists Association in New York.

A musica de Omar Sosa caracteriza-se por uma liberdade criativa bastante notória, incorporando elementos de diversos meios musicais e englobando projectos que vão desde o Latin-Jazz passando pela World Music, Jazz Big Bands, Avant-gard ou ainda a musica clássica.
A espiritualidade é algo bastante marcante na musica deste artista, assentando no folclore e religiões da África e América do Sul (Santeria).



Pat Metheny (1954-)

Patrick Bruce Metheny, mais conhecido como Pat Metheny, é um guitarrista de jazz norte-americano, considerado hoje em dia como uma verdadeira lenda viva como músico, compositor e instrumentista.



O guitarrista surgiu em meados dos anos setenta com uma abordagem consumada do seu instrumento, completamente inovadora na época e oferecendo uma refrescante alternativa aos estilos bop e de fusão. As suas linhas arrebatadoras, reverberantes e de tom quente, e a liquidez da sua fraseologia, certa vez descritas pela revista Down Beat como "o som do vento por entre as árvores", teve um forte impacto numa geração inteira de guitarristas e traçou um novo caminho para o jazz em finais da década de setenta.

Pat Metheny teve também um impacto importante como compositor, com uma música original e transversal a vários géneros que misturava com arte as suas próprias influências folk e elementos do rock, da música brasileira, do bebop da new age e do free jazz.

Disse um dia:

"Para mim, a ser alguma coisa, jazz é um verbo: é muito mais um processo do que uma coisa."

in Enciclopédia Ilustrada do Jazz & Blues








Oscar Peterson (1925-2007)

Oscar Emmanuel Peterson nasceu em Little Burgundy (Montreal, Canada) a 15 de Agosto de 1925.
Peterson começou a tocar trompete e piano com 5 anos. No entanto, devido a ter contraído tuberculose quando pequeno , teve de virar a sua atenção apenas para o piano. O seu pai, Daniel Peterson, e a sua irmã Daisy foram os seus primeiros professores, ensinando trompete e piano ao jovem Oscar. A pratica diária por parte de Oscar Peterson nesta fase foi essencial para que desenvolvesse bastante a sua técnica.

Aos 14 anos Peterson ganharia um concurso nacional de musica, organizado pela Canadian Broadcasting Corporation, levando a que abandonasse os estudos e se dedicasse profissionalmente à musica, tocando uma vez por semana na radio e em hotéis.

Uma das maiores influencias de Peterson foi o pianista Art Tatum. A musica de Tatum foi dada a conhecer a Peterson pelo seu pai enquanto este ainda era um adolescente, impressionando-o de tal forma que fez com que Peterson ficasse bastante desanimado com as suas aptidões para o piano. Posteriormente Tatum tornou-se um modelo para Peterson durante os anos 40 e 50, e mesmo quando Tatum e Peterson se tornaram bons amigos este ultimo raramente tocava na presença do outro.

No final dos anos 40 Peterson conheceu Norman Granz (dono da editora Verve e fundador do conceituado projecto "Jazz at the philharmonic"). Granz após ouvir uma sessão de Peterson na radio ficou tão impressionado que o convidou a tocar na sua formação. Este passo seria bastante importante, abrindo portas a nível internacional, e iniciando-se uma longa amizade .

No inicio dos nos 50 Peterson formaria um famoso trio juntamente com Herb Ellis (guitarra) e Ray Brown (contra-baixo). A formação do trio foi um passo bastante arrojado para a época, na medida que Ellis era branco, o que chocava contra as politicas segregacionistas da época. Este trio é considerado um dos mais importante da historia do Jazz, sendo os três músicos igualmente importantes e influentes ao nivel da composição dos temas. Destaca-se o álbum "Oscar Peterson Trio at the Stratford Shakespearean Festival" como marco importante desta fase da carreira do músico.

Após a saída de Ellis em 1959, o trio passou a integrar Ed Thigpen (bateria) gravando-se os aclamados álbuns Night Train e Canadiana Suite. O trio acabaria por se separar em 1965 sendo Ray Brown e Ed Thigpen substituídos por Sam Jones e Bobby Durham.

No inicio da década de 70 formar-se-ia outro famoso trio, desta vez com Joe Pass (guitarra) e Niels-Henning Orsted Pedersen (contra-baixo). Este trio rivalizaria em sucesso com o anterior (com Ray Brown e Herb Ellis) tendo grande sucesso comercial e sendo aclamado pela critica. Em 1974 Oscar adicionaria o baterista Martin Drew à formação.

Além da carreira como musico Peterson era também professor, tendo inclusive aberto na década de 60 uma escola em Toronto (Advanced School of Contemporary Music). No entanto, passados 5 anos esta fecharia devido por um lado às tournées que Peterson efectuava e por falta de apoios governamentais. Posteriormente seria responsável pelo programa de Jazz da universidade de York.

Apesar de ser um pianista de Jazz Peterson recomendava sempre o estudo clássico, especialmente a musica de J. S. Bach (que considerava essencial na educação de qualquer pianista profissional).

Desde jovem que Peterson sofria de artrite, o que conjugado com o seu peso excessivo lhe reduzia bastante a mobilidade. Durante a década de 90 sofreria vários ataques de coração, o que lhe reduziria a capacidade de tocar com a mão esquerda, sendo que as suas performances passaram a incidir especialmente na mão direita. Em 2007 sofreria uma falha renal, que levaria à sua morte a 23 de Dezembro desse mesmo ano (faleceria na sua casa em Mississauga, Canada).


John Coltrane (1926-1967)

John William Coltrane nasceu a 23 de Setembro de 1926 em Hamlet (Carolina do Norte, USA). Considerado por muitos como um dos mais marcantes músicos de Jazz de todos os tempos e o mais influente saxofonista desde Charlie Parker.

Coltrane contactou com a musica desde muito cedo, pois o seu pai era também musico (tocando varios instrumentos). Este facto levaria Coltrane a estudar clarinete no liceu.

Posteriormente, musicos como Lester Young ou Johnny Hodges levariam a que mudasse um pouco as suas influencias musicais, mudando para o saxofone alto.

Em 1943 mudar-se-ia para Philadelphia (Pensilvânia, USA) continuando os seus estudos musicais na The Ornstein School of music e na Granoff Studios.

Após o seu regresso do serviço militar (durante a 2ª Grande Guerra), Coltrane começaria a tocar saxofone tenor na banda de Eddie "CleanHead" Vinson e conheceria Charlie Parker. Este marca-lo-ia profundamente, tornando-se um ídolo, tendo o privilegio de tocar com ele no fim dos anos 40.

Durante o resto da década de 40 e inicio da década de 50, Coltrane tocaria em bandas lideradas por Charlie Parker, Jimmy Heath, Dizzy Gillespie entre outros.

Em 1955. enquanto se encontrava em Philadelphia a estudar teoria musical com Dennis Sandole e a trabalhar como musico freelancer Coltrane receberia um telefonema de Miles Davis.
A partir desse momento formar-se-ia o primeiro grande quinteto de Davis que duraria cerca de 2 anos, acabando em 1957. Destacam-se as gravações efectuadas sob o selo da editora Prestige intituladas como "Cookin", "Relaxin", "Workin" e "Steamin".

Após ter deixado a banda de Miles Davis, muito devido ao seu consumo de heroína e álcool, Coltrane tocaria com Thelonious Monk até ao fim desse ano de 1957. Durante este período gravaria o seu primeiro álbum como líder, intitulado Blue Train (pela editora Blue Note), integrando músicos como Lee Morgan (trompete), Paul Chambers (contra-baixo), Kenny Drew (piano), Philly Joe Jones (bateria) e Curtis Fuller (trombone). Considerado por vários críticos o seu melhor álbum deste período, mostraria pela primeira vez as Coltrane Changes. Desenvolvida por Coltrane, esta técnica consistia em efectuar variações sobre progressões harmónicas de jazz comuns, através da substituição dos acordes existentes.

Em 1958 e após ter conseguido deixar as drogas, Coltrane juntar-se-ia novamente a Miles Davis permanecendo no seu grupo por mais dois anos e gravando os álbuns Milestones e Kind of Blue. A forma de tocar de Coltrane atingiria neste período o seu amadurecimento, desenvolvendo o agora denominado "sheets of sound, caracterizado por solos comprimidos, impulsivos em que tocava um grande numero de notas por minuto, como se uma cascata de som se produzisse.

A partir da década de 60 Coltrane criaria o seu próprio quarteto, integrando McCoy Tyner (piano), Steve Davis (contra-baixo) e Elvin Jones (bateria). O primeiro álbum, Giant Steps, marca a estreia de Coltrane no saxofone soprano (que tinha começado a tocar ainda nos tempos com Miles Davis).
Em 1961 Steve Davis sairia, sendo substituído por Reggie Workman. Ao mesmo tempo, Coltrane adicionaria mais um musico ao seu quarteto: Eric Dolphy.

Não seria apenas o grupo a sofrer modificações a partir desta data, também a musica tocada por Coltrane iria se transformar, tornando-se mais experimentalista, apanhando influencias dos movimentos avant-garde e Free Jazz que se começavam a formar na época. Uma das maiores influencias para Coltrane seria a musica dos Sun Ra's Arkestra (especialmente o seu saxofonista John Gilmore).
Em 1964 (ja sem Dolphy que falecera e sem Workman) Coltrane produziria o álbum Love Supreme, considerada uma das suas maiores obras. Sendo o culminar de muito do trabalho de Coltrane até à época o álbum era uma suite de quatro partes, que pretendia celebrar o seu amor e fé em Deus. A fé e a procura de uma profundidade espiritual através da musica marcaria muita da obra de Coltrane, levando-o a abarcar um grande conjunto de religiões e conceitos espirituais.

A partir de 1965 Coltrane acrescentaria vários músicos da cena FreeJazz ao seu quarteto, tais como pharoah Sanders (saxofone) e Rashied Ali (bateria). A incorporação de novos elementos, assim como o rumo musical de Coltrane fez com que o grupo se separasse, saindo primeiro Tyner e por fim Elvin Jones.

A partir deste período Coltrane formaria um segundo quinteto ainda mais focado para a cena avant-garde e com uma sonoridade bastante mais difícil para o grande publico. Pensa-se que Coltrane teria começado a consumir novamente drogas (LSD) numa tentativa de alcançar uma maior "transcendência". O novo quinteto seria formado por Coltrane, Alice Coltrane (sua esposa e pianista), Jimmy Garrison (contra-baixo) e ainda pharoah Sanders e Rashied Ali.

Em 1967 Coltrane seria internado no hospital Huntington (Long Island-Nova Yorque), onde morreria segundo fontes oficiais devido a um cancro de fígado , sendo que alguns biógrafos sugiram que a morte se deveu a uma hepatite, contraída ainda durante a época em que consumia heroína.








Kenny Burrell (1931-)

Nascido a 31 de Julho de 1931 em Detroit (Michigan-USA), Kenneth Earl "Kenny" Burrell é um guitarrista de Jazz baseado nos vários estilos bop e no swing, tendo como principais referencias Wes Montgomery, Charlie Christian e Django Reinhardt.

Proveniente de uma família de músicos, Burrell começou a tocar guitarra aos 12 anos.
A sua primeira aparição deu-se enquanto estudava na Wayne State University (Detroit), como parte do sexteto de Dizzy Gillespie em 1951.

Em 1955, após a sua graduação, iria em tournée com Oscar Peterson e mudar-se-ia para Nova Iorque em 1956.

Burrell tocaria com vários nomes do Jazz, gravando álbuns quer como sideman quer como líder. Entre estes músicos contam-se John Coltrane, Gil Evans, Stan Getz, Milt Jackson, Sonny Rollins, Quincy Jones entre outros.

A partir do inicio da década de 70 dedicar-se-ia a dar seminários acerca de musica, incidindo especialmente na musica e figura de Duke Ellington.
A partir de 2007 tornar-se-ia director de estudos do Jazz na UCLA (Los Angeles).

Durante a sua carreira Burrell gravou mais de 90 discos e EPs, destacando-se Midnight Blue (1963), Blue Lights, Guitar Forms, Sunup To Sundown (1990), Then Along Came Kenny (1993)e Lotus Blossom (1995).






Ron Carter (1937-)

Ron Carter nasceu a 4 de Maio de 1937, na cidade de Ferndale (Michigan-USA). Iniciou a sua formação musical com 10 anos, aprendendo a tocar violoncelo.

Após a mudança da sua família para Detroit, Ron sentiu dificuldades em impor-se no meio da música clássica (devido a questões raciais), o que o fez mudar para o contra-baixo, iniciando a sua carreira no Jazz. Em 1961 Ron Carter tiraria um mestrado em contra-baixo, pela Manhattan School of Music.

Carter tocaria inicialmente com Jack Byard e com Chico Hamilton, onde encontraria Eric Dolphy. Seria com Dolphy que Carter gravaria em 1960 as suas primeiras sessões, assim como com Don Ellis. Os albúns "Where?" e "Out there" sao exemplos desta colaboração.
Juntamente com outros musicos, Carter é bastante influenciado nesta fase pela corrente "Third Stream"- que tenta aliar a música clássica ao Jazz (tocando inclusive em vários temas violoncelo).

Posteriormente, Carter iria em digressão com Cannonball Aderley pela Europa e em 1963 integraria o 2º grande quinteto de Miles Davis, juntamente com Wayne Shorter, Herbie Hancock e Tony Williams. Durante esta fase destaca-se a sua colaboração no album E.S.P, cujos três temas são da sua autoria. A partir de 1968 Carter abandonaria o quinteto, sendo substituido por Dave Holland.

Durante as décadas seguintes Carter iria tornar-se um colaborador permanente da CTI Records, quer produzindo albúns em seu nome quer como "sideman" de vários artistas da editora. Sendo um musico bastante versátil Carter iria colaborar com nomes de várias áreas musicais, desde o hip-hop (colaborando com o grupo A Tribe Called Quest) passando pelo funk-jazz, e pelo jazz mais tradicional e assinando bandas sonoras de vários filmes.

Em 2004 Carter tornou-se Doutor Honorário pela Berklee College of Music, sendo também Professor Emérito do Departamento de Musica da City College of New York, Doutor Honorário da New England School Conservatory of Music e da Manhattan Scholl of Music. Carter é ainda vencedor de 2 grammy's awards (1993 e 1998).